voluntariado

Um projeto social que surgiu de uma das instituições de ensino executivo mais prestigiadas do Brasil, o Gestão para Entidades da Sociedade Civil (GESC) treina ONGs e outras organizações em técnicas de gestão e negócios. Fundada pela Associação dos Alunos e Ex-Alunos da FIA (AMBA-FIA), a iniciativa fundamenta sua visão nas crenças de que é preciso fortalecer a sociedade civil, e que isso só se faria com um terceiro setor forte; na qualidade de gestão das organizações sociais e no estímulo a empresários para se tornarem empreendedores sociais, contribuindo na construção de uma sociedade inclusiva. Entrevistamos o diretor executivo do Instituto Gesc, Alfredo Santos Júnior.

Aula inaugural para organizações

Quando e como surgiu o projeto Gesc?

Em 1994, um grupo de alunos do primeiro curso de MBA em gestão da Fundação Instituto de Administração, ligadas à Universidade de S. Paulo, fundou uma Associação com o objetivo de auxiliar Organizações da Sociedade Civil quanto ao fortalecimento de sua gestão. Em 1997, a AMBA-FIA criou o programa GESC – Gestão para Entidades da Sociedade Civil, voltado a apoiar as instituições do terceiro setor em sua busca por maior eficácia na gestão, condição básica para o seu desenvolvimento.

Desde então, foram realizadas 72 edições do GESC, que envolveram mais de 800 organizações, capacitaram cerca de 1.400 gestores sociais, contando com o trabalho de aproximadamente 1.150 executivos voluntários. O êxito do programa levou a Associação a criar, em 2004, o Instituto GESC, voltado para coordenar, aplicar e dar escala ao programa.

Quais eram os principais desafios enfrentados pelas organizações apoiadas e como os executivos puderam aplicar sua expertise para solucioná-los?

Era uma época em que o Brasil estava retomando sua normalidade institucional democrática e o que conhecemos como Terceiro Setor, começava a viver um período de grande expansão. A necessidade de ajudar as organizações que já existiam e as que estavam sendo criadas a fortalecer suas práticas de gestão e governança era muito grande.

Os executivos – então alunos e ex-alunos da FIA – puderam se engajar em trabalho voluntário qualificado, ajudando estas organizações com o conhecimento e a experiência adquiridos no dia a dia da gestão empresarial.

Em 20 anos de projetos, quais foram as evoluções observadas na profissionalização do terceiro setor no Brasil?

As organizações da sociedade civil – que conhecemos como o “Terceiro Setor” – evoluíram muito nestes 20 anos, principalmente no que diz respeito a profissionalização de seus quadros de pessoal e da adoção de métodos e práticas de sucesso, trazidas do mundo empresarial.

Há visíveis progressos quanto à gestão financeira, gestão de pessoas, captação de recursos e adequação à legislação. Há, ainda, muitos desafios a serem vencidos, mas o progresso observado é inegável e o GESC, como programa pioneiro e com metodologia de trabalho consolidada, tem grande importância neste processo.

Alfredo Santos, diretor executivo do Igesc

Há casos de sucesso que gostariam de mencionar?

Recentemente, na comemoração dos 20 anos do GESC, recebemos dois representantes de organizações que deram seus depoimentos sobre a importância do GESC em suas trajetórias: “Doutores da Alegria”, que participou do primeiro GESC e “Tenda da Solidariedade”, que participou de uma das mais recentes edições do programa. Ambos apontaram o GESC como um divisor de águas na vida das suas organizações.

Mas, existem inúmeros outros casos, como o GOAS – Grupo de Orientação e Assistência à Saúde, organização de médio porte, na Grande S. Paulo e a Liga Solidária, entidade de grande porte que se tornou parceira do GESC.

Horyou é a rede social para o bem social. De que forma a internet e as redes sociais são significativas para o projeto?

As redes sociais têm um papel importantíssimo a desempenhar para o fortalecimento da sociedade civil. Elas têm forte potencial para mobilização e articulação de pessoas em favor de causas de interesse comum, permitem a ampliação do trabalho em rede, que pode favorecer a troca de experiências, recursos, conhecimentos, bem como a atuação conjunta em projetos de maior porte, que exijam competências diversificadas.

Elas também ajudam a dar escala a iniciativas locais bem-sucedidas, que podem vir a ser replicadas em outros contextos, e podem favorecer a integração e articulação de organizações em escala global, um fator essencial para a construção da cidadania planetária.

Horyou apoia as iniciativas de inovação social que ajudam o mundo a alcançar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, e é organizadora do SIGEF, o Fórum de Inovação Social e Ética Global. Seja a mudança, seja Horyou!

Transformar milhas de viagens em benefícios para projetos sociais de educação. Essa é a proposta do Milhas do bem, lançado pela Smiles este mês para estimular o voluntariado entre seus funcionários e a doação de milhas entre seus clientes. O objetivo do projeto é apoiar instituições parceiras que trabalham com educação de crianças e jovens e que atuam com projetos que vão desde capacitação para o trabalho até educação através do esporte. Entrevistamos o CEO da Smiles, Leonel Andrade, sobre o projeto.

Evento de lançamento do Milhas do Bem, com todas as instituições parceiras. Foto Denise Andrade
Evento de lançamento do Milhas do Bem, com todas as instituições parceiras. Foto Denise Andrade

Como surgiu o projeto de responsabilidade social e voluntariado da Smiles?

Com foco na missão da empresa de “transformar milhas em sorrisos”, percebemos que poderíamos ajudar a preparar as novas gerações para atuarem no desenvolvimento humano e social e diminuir as desigualdades, proporcionando a crianças e jovens em situação de risco, educação e alternativas de futuro, para que possam exercer sua cidadania e se sentir parte da sociedade. A partir daí contratamos um consultor para nos ajudar a desenhar o projeto, definir as causas e escolher as instituições participantes do Milhas do Bem.

Qual é o objetivo do projeto em seu primeiro ano?

Na verdade, não há um objetivo específico, mas o compromisso de disseminar essa semente entre colaboradores, clientes e parceiros da Smiles, para que juntos, realizemos o maior número de projetos possíveis. Por esse motivo, a Smiles participará ativamente das doações, oferecendo uma milha a mais a cada milha doada.

Quais são as instituições parceiras?

São seis instituições que atuam em projetos nas áreas de educação/ empreendedorismo/ gestão e uma instituição de voluntariado. São elas: ✓ Cruzada ✓ Instituto Reação ✓ Parceiros Voluntários ✓ Junior Achievement ✓ Fundação Dom Cabral ✓ ESPM Social ✓ CEPAC (voluntariado).

As atividades vão desde a capacitação de jovens para o mercado de trabalho, passando por oficinas de linguagem, teatro, atendimento psicológico, à iniciação aos esportes e capacitação.

Na sua opinião, por que o setor privado deve se envolver em projetos de responsabilidade social?

É responsabilidade dos empresários, empreendedores, gestores das empresas retribuírem e participarem do desenvolvimento da sociedade, não só gerando empregos, mas participando ativamente de projetos sociais. É importante capacitar as novas gerações para a entrada no mercado de trabalho, e de que forma poderíamos fazer isso, se não começar pela educação. O Milhas do Bem não é um projeto da Smiles, mas de toda a sociedade, que tem como objetivo auxiliar os menos favorecidos por meio da doação de milhas para os projetos voltados à educação e empreendedorismo ou, no caso do voluntariado, de horas dos colaboradores da Smiles durante o expediente, para dar aulas, trocar cartas com as crianças ou dar dicas de finanças pessoais, por exemplo.

Horyou é uma rede social para o bem social. Qual a importância estratégica da internet e das redes sociais para o projeto de responsabilidade social e voluntariado da Smiles?

A internet é democrática e pode ser alcançada de qualquer parte do mundo e para um projeto de responsabilidade social e voluntariado, precisamos que nossas crenças, nossas mensagens cheguem a todos os cantos, sem discriminação. A melhor forma de multiplicar nossas ideias é distribuí-las nos canais digitais, nas redes sociais. É importante que as empresas encorajem seus parceiros, clientes e colaboradores a compartilhar nossos sonhos de contribuir para que crianças e jovens tenham esperança de um futuro melhor. Além disso, a Smiles é 100% digital e baseada em transações pela internet, ou seja, esse canal é o nosso dia-a-dia, nosso meio de negócios.

Horyou apoia as iniciativas de inovação social que ajudam o mundo a alcançar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, e é organizadora do SIGEF, o Fórum de Inovação Social e Ética Global. Seja a mudança, seja Horyou

Organização não governamental com sede no Rio de Janeiro, a Argilando promove o voluntariado e apoia a gestão de outras organizações não governamentais, somando forças na defesa de diferentes causas sociais. Nessa entrevista, a Argilando compartilha sua visão de trabalho e seus projetos com o nosso blog!

Apresentação de flamenco de uma das voluntárias Argilando
Apresentação de flamenco de uma das voluntárias Argilando

1. Apresente brevemente a organização Argilando.

A história começa com um pequeno grupo em 2004 organizando algumas campanhas e ações de voluntariado. O grupo cresceu e se constituiu juridicamente em 2008. Desde então, ações pontuais se transformaram em projetos e programas, que em 2016 completam 12 anos de muitas realizações.

A Argilando é uma organização não governamental que atua em duas frentes. A primeira é promover o voluntariado, pois acreditamos que somos capazes de sermos agentes de transformação de nós mesmos e do espaço que nos cerca. Essa crença deu nome à organização. “Argilando” é uma metáfora com a argila e a capacidade que temos de moldar, criar e transformar, sendo ao mesmo tempo o artesão e a matéria-prima da mesma obra.

A segunda frente de atuação é apoiar a gestão de outras organizações não governamentais para juntos somar forças na busca de soluções efetivas para as demandas da sociedade.

Construímos pontes entre voluntários, instituições, empresas e órgãos governamentais, transformando necessidades sociais em oportunidades de participação solidária em prol de diferentes causas sociais. Para a Argilando, mobilizar pessoas e apoiar outras instituições é a melhor forma de fortalecer a nossa sociedade na busca de um futuro melhor.  

2. O que é o projeto 365 dias de Agir?

O projeto 365 Dias de Agir consiste na construção de um calendário de um ano com ações diárias de voluntariado. Com a proposta de não deixar nenhum dia em branco, cada voluntário escolhe um dia do ano e juntos construímos um calendário com 365 dias consecutivos de boas ações.

As ações podem ser simples ou complexas e também podem ser realizadas em qualquer parte do mundo.

O objetivo central é comprovar o grande impacto que podemos conquistar a partir da união de várias ações e pessoas. Além de valorizar atitudes simples, o projeto tem como foco inspirar oportunidades e gerar visibilidade para causas e instituições.

Todas as pessoas e organizações de quaisquer natureza dispostas a contribuir com mudanças positivas estão convidadas a participar do projeto.

O projeto já consolidou mais 300 ações e tem 229 voluntários participantes. Além disso, já realizou ações em nove países diferentes (África do Sul, Colômbia, Estados Unidos, França, Inglaterra, Polônia, Romênia, Sérvia e Uganda) e 10 estados brasileiros.

3. Quantos projetos a Argilando realizou em 2015?

O ano de 2015 foi de muitas conquistas, fruto do resultado de cinco projetos principais, entre eles o Banco de Doações, que trata da arrecadação e distribuição de doações para instituições e iniciativas populares e o Argilando Vai ao Teatro, que visa o fomento da cultura através do acesso gratuito ao teatro.

Foi um ano intenso na realização do projeto Assessoria Social, que oferece diferentes formatos de consultoria em responsabilidade social e voluntariado de forma gratuita para ONGs, iniciativas sociais e pessoas físicas empreendedoras sociais, do qual se destaca o apoio técnico a organização Junior Achievement Rio de Janeiro no atendimento a mais de 44 mil jovens em programas de empreendedorismo, o Movimento Rio Presente, um programa de voluntariado empresarial desenvolvido para a empresa Infoglobo e as ações com as empresa LAMSA – Linhas Amarelas S.A, Concremat e EVEN.

Em 2015 também celebramos o quarto ano do projeto Levantando a Bola, que promove atividades esportivas com 30 crianças e contou com o sucesso de uma campanha de crowdfunding e o apoio da empresa italiana Varlife.

No projeto de protagonismo Atitude Jovem, tivemos a implementação de três edições com a participação de dois colégios estaduais e uma instituição, formando 9 equipes de jovens empenhados em desenvolver ações em prol de um mundo melhor. Após dois meses de treinamento, todas as equipes executaram com sucesso os projetos desenvolvidos em sala de aula, colocando em prática o conhecimento e dando um show de atitude.

Palhaçaria, uma atividade de voluntariado da Argilando
Palhaçaria, uma atividade de voluntariado da Argilando

4. Conte-nos sobre a realização de maior importância da Argilando nesses últimos anos?

Uma pergunta difícil de responder! A adesão de cada novo voluntário e parceiro e o resultado de cada projeto executado são motivos para celebrar. A consolidação da parceria com a organização Junior Achievement em 2010 e a aquisição de uma sede em 2013 são marcos tão importantes quanto a criação de cada projeto que a instituição possui.

Para cada membro Argilando, a realização de maior importância está alinhada às suas conquistas frente ao senso de propósito, tornando a Argilando um espaço concreto e colaborativo para o encontro de diferentes pessoas em busca de objetivos comuns.

5. A Argilando tem algum projeto que deseja implementar em breve?

A próxima meta agora é formatar a segunda edição do projeto 365 Dias de Agir em uma nova versão, que permita o uso da tecnologia para a consolidação de um método replicável em escala em qualquer parte do mundo, de forma orgânica e pública para que qualquer instituição possa se apropriar da metodologia e assim gerar novos ciclos e calendários de 365 dias mundo afora.

6. O que você pensa da Horyou e da comunidade na qual você é um membro ativo?

Acreditamos ser um lugar que reúne as pessoas e exemplos que precisamos ter no presente, sendo uma forte ferramenta de comunicação para aproximar instituições e pessoas em prol de atitudes necessárias nos dias atuais.

Identificamos na Horyou uma nova forma de compartilhar experiências e conhecimento mediante especialistas preparados para oferecer soluções apenas para os membros da comunidade, mas também para todos os públicos com quem seus membros conversam com a crença de quem acredita que a informação conecta, inspira, mobiliza e contribui para o desenvolvimento e comprometimento com os resultados.

7. Qual a sua mensagem para todos os membros da comunidade Horyou?

Obrigado por vocês existirem! Acreditamos que todos nós, se estamos aqui reunidos é porque ainda temos muito trabalho para fazer e que nosso desafio está apenas começando. Desejamos a todos força e resiliência para continuarmos sonhando, inspirando e agindo. O mundo precisa de todos nós juntos e aqui não estaremos sozinhos. Gratidão!

Por Edriana Oliveira Major

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