preservação

Em pronunciamento na COP 22, em Marrakesh, Ministro do Meio Ambiente Sarney Filho anuncia que o País sediará o Fórum Mundial da Água em 2018

Ministro do Meio Ambiente, Sarney Filho, durante as negociações da COP22
Ministro do Meio Ambiente, Sarney Filho, durante as negociações da COP22

Brasília será a sede do Fórum Mundial da Água em 2018. Com o tema “Compartilhando Água”, o evento discutirá a relações entre crises hídricas e mudanças climáticas, conforme anunciou o ministro Sarney Filho durante a COP22 em Marrakesh. Com uma série de crises hídricas recentes em seu histórico, o país tem uma posição-chave na conservação dos mananciais, tanto por sua importância geográfica quanto por seu papel de líder regional.

“Nossos cursos d’água e rios estão altamente comprometidos, não só na região Nordeste, mas no Sudeste também”, alertou o ministro. Apesar de as crises estarem evidentemente relacionadas às mudanças climáticas, ele ressaltou que as bacias menos protegidas de vegetação foram mais afetadas. O desmatamento de matas ciliares em bacias como a do Rio São Francisco, por exemplo, é um exemplo da necessidade de agir com rapidez – hoje, 10km de água salgada estão entrando pelo leito do rio em sua foz e há apenas 2% de reservas.

O Fórum Mundial da Água, segundo Sarney Filho, será uma oportunidade de discutir temas como integração de recursos hídricos à gestão pública, participação das comunidades locais e políticas de disponibilidade de água. “Precisamos priorizar iniciativas sustentáveis e resilientes em projetos de infraestrutura. A água engloba, direta ou indiretamente, todos os objetivos de desenvolvimento sustentável”, afirmou.

O diretor presidente da Agência Nacional de Águas (ANA), Vicente Abreu, afirma que o processo de escassez hídrica de diversas regiões do país trouxe grandes aprendizados. “Muita coisa evoluiu nos últimos 20 anos em gestão de recursos hídricos. Mas há uma grande fragilidade do Brasil diante de eventos externos, tanto em águas superficiais quando nos aquíferos”, alerta. A crise hídrica, segundo ele, é uma ameaça constante, mesmo em um país em que se convencionou dizer ter uma grande disponibilidade do recurso.

“Em 2014, o Sistema Cantareira, em São Paulo, chegou a inacreditáveis 25% negativos”, relembra. O curioso neste caso, diz Abreu, é que muitos interpretaram o evento como uma seca isolada. Outro exemplo mais recente é o da cidade de Rio Branco, no Acre, que enfrentou em 2016 a maior cheia e a maior seca dos últimos 30 anos. “Precisamos preparar um modelo de gestão, construir reservatórios e mudar os padrões de consumo”, diz.

Estiagens vêm afetando diversas bacias brasileiras
Estiagens vêm afetando diversas bacias brasileiras

Alguns setores, como o de agricultura, já estão se adaptando às novas demandas, reduzindo o uso de água e trabalhando com mais eficiência. É nas cidades, porém, onde se encontram os desafios mais preocupantes – as perdas ultrapassam os 50% e o consumo é elevado, chegando a 320 litros por habitante por dia. O número considerado adequado é de 80 a 120 litros. “Precisamos repensar o consumo e considerar alternativas que foram rejeitadas no passado como redução de perdas, reuso urbano de água e dessalinização”, afirma.

A boa notícia é que o quadro pode ser revertido com políticas públicas e mudanças culturais, que já estão em curso. “Crimes ambientais como o de Mariana trouxe a atenção para a bacia do Rio Doce. A qualidade da água tornou-se uma das preocupações principais das pessoas”. A expectativa é que o Fórum Mundial da Água se torne uma das conferências mais importantes, em que os temas da água e das mudanças climáticas sejam definitivamente conectados. “A água deve fazer parte de nossa agenda política relevante para garantirmos segurança hídrica sustentável para todos os usos no nosso País”, disse o diretor presidente da ANA.

Escrito por Vívian Soares

More Stories

UN End Hunger goal is to achieve food security and improved nutrition and promote sustainable agriculture Horyou’s new series is about the UN Sustainable Development...