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O fotógrafo Tomás Cajueiro tem um projeto ousado – percorrer o Brasil mostrando as diferentes faces do país a seu próprio povo. O projeto Retratos Brasileiros, que faz uma edição especial pelo estado de São Paulo, é resultado de um trabalho de diferentes fotógrafos que viajaram pelo Brasil e pelo exterior desde 2014 em busca de brasileiros. Além das imagens, o projeto também conta com relatos sobre cada personagem retratado, exposições e palestras sobre fotografia. O Horyou blog entrevistou Tomás Cajueiro, que conta sobre a história do projeto e sua inspiração nas causas sociais.

Foto: Tomás Cajueiro
Foto: Tomás Cajueiro

Como surgiu a ideia do projeto Retratos Brasileiros?

Nasce como uma maneira de colocar um pouco em prática, diversas das reflexões teóricas que eu tive nos meus anos de estudo, sobretudo no mestrado, onde estudei muito identidade nacional e a função do jornalismo e do fotojornalismo como instrumentos de formação de identidade nacional. O brasileiro e o latinoamericano em geral tem uma identidade ainda muito fraca, ainda em construção. O Retratos surge como uma utopia de propiciar uma reflexão que faça o brasileiro pensar quem ele é, quem é o povo brasileiro.

Foto; Tomás Cajueiro
Foto; Tomás Cajueiro

O projeto está em fase de curadoria. Quais são os próximos passos e o plano de divulgação?

A edição 2017 do projeto, que é viabilizado com recursos do ProAC (Programa de Ação Cultural – Estado de São Paulo) está na fase final de curadoria para seleção das imagens que irão compor a exposição e seu catálogo. Serão escolhidas 100 imagens. Os próximos passos serão as exposições em si que devem acontecer em Sorocaba, Araçatuba e Santos. A divulgação acontece pelas redes sociais e assessoria de imprensa.

Como continuidade do projeto, o próximo passo é inscrevê-lo na Lei Rouanet, para que aconteça em nível nacional. Nosso objetivo é voltar o Retratos, a partir do ano que vem, para o Brasil todo, que foi como começarmos. Esperamos fazer isso agora com o financiamento da Lei Rouanet. O objetivo é termos um livro publicado com as próximas imagens, até 2019.

Foto: Érica Dezonne
Foto: Érica Dezonne

Você se sente engajado com questões sociais e de meio ambiente?

A fotografia é uma consequência desse engajamento. Meu engajamento se manifestou através de uma série de trabalhos voluntários que eu sempre fiz. A fotografia, na verdade, nos últimos anos tem se transformado num instrumento que dá voz a esse engajamento social, ela é a consequência. E a maneira através da qual eu acredito que eu consigo dar voz a pessoas que são forçadamente mudas. Sobretudo nesse sistema midiático que a gente vive hoje, bastante mercadológico, muita gente que não vende pauta (jornal) não tem voz.

Com quais causas sociais você se sente mais conectado?

Pessoalmente eu me interesso muito por desigualdade social e inclusão social. São duas causas que me interessam bastante. Gosto muito de trabalhar com pessoas marginais à grande massa da sociedade. Eu acho que o que a gente chama de minoria na verdade é a maioria, são pessoas que não estão no centro do debate sócio-político.

Foto; Daniel Arroyo
Foto; Daniel Arroyo

Na sua opinião, como a arte pode colaborar para construir uma sociedade mais justa?

Acredito que a arte empodera as pessoas, pois gera uma visão crítica, a partir do momento que as tira da zona de conforto. Mexe com um lado do cérebro que não é racional. Acho que faz com que a pessoa tenha a capacidade de pensar mais no abstrato, e a pessoa acaba tendo uma visão de mundo diferente, que não teria se ela ficasse vivendo aquele mundo muito cartesiano que a sociedade põe de frente pra gente. Vivemos em uma sociedade muito pragmática. Acho que a arte é uma maneira de acabar com esse pragmatismo. Assim, as pessoas se tornam mais críticas e fazemos com que a sociedade seja mais justa.

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