Meio Ambiente

Um fundo de investimentos criado para estimular a inovação aplicada ao meio ambiente – essa é uma das estratégias da Inseed Investimentos para estimular o empreendedorismo sustentável no Brasil. João Pirola, diretor da empresa, fala ao Horyou blog sobre como investir em negócios verdes pode ir além do ‘politicamente correto’ e trazer lucros e inovação para o negócio.

Quando o fundo foi lançado e qual a proposta por trás de sua criação?

Dentre as iniciativas de inovação, existe um espaço para as pequenas e médias empresas inovadoras que buscam desenvolver soluções que impactam direta e positivamente o meio ambiente. A principal questão destas empresas menores é ter acesso a recursos para conseguir fazer isso em escala maior e velocidade. Da mesma forma que as grandes empresas industriais têm muito recurso para explorar e para produzir, as pequenas e médias também deveriam ser capazes de acessar recursos para desenvolver suas soluções inovadoras e assim, gerarem grande impacto no meio ambiente. Neste contexto e com esta proposta surgiu o Fundo FIP Inseed FIMA, criado pelo BNDES em 2012, e gerido pela Inseed Investimentos. Empresas do setor de tecnologias limpas, com faturamento de até R$ 20 milhões ao ano, podem candidatar-se a receber aporte de capital do Fundo. São R$ 165 milhões de capital comprometido para aporte em até 20 empresas até o fim de 2017. O Fundo contempla três eixos de investimento: Soluções Ambientais, Tecnologias Avançadas e Agropecuária Sustentável, e Novos Modelos.

João Pirola. Foto Cláudio Camarotta

Um dos grandes temas correntes é a inovação social – você acredita que negócios responsáveis social e ambientalmente podem gerar lucros tão expressivos quanto os de negócios tradicionais?

Sim. Eu diria que empreendedorismo, inovação e meio ambiente são os grandes temas do momento. Tudo que a gente fizer do ponto de vista industrial, econômico, urbano ou agrícola tem que estar dentro de uma equação de menor impacto: Como recuperar aquela matéria prima? Como fazer uma melhor compostagem? Como usar menos agrotóxico? Como fazer mais coisas orgânicas? Mas tudo isso também pensando em rentabilidade e economia, pois o sustentável, a princípio, não pode ser mais caro, se não ele vai criar uma restrição. A nova agenda do século XXI implica inovações tecnológicas e a capacidade de empreendê-las, com o olhar sobre o meio ambiente sempre presente.

Como você vê o futuro da inovação ambiental?

O caminho é o incentivo e o estimulo à inovação tecnológica. A Inseed é gestora de um fundo de inovação em meio ambiente, criado pelo BNDES e pioneiro no Brasil. Acreditamos que grande parte dos problemas ambientais atuais, que foram gerados com a industrialização, ou com a urbanização, podem ser acolhidos, equacionados e até minimizados com a aplicação de inovação tecnológica em diversas áreas. Ao trazermos a temática “inovação ambiental”, queremos convidar o empreendedor a ter um novo olhar sobre o meio ambiente.

Horyou apoia as iniciativas de inovação social que ajudam o mundo a alcançar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, e é organizadora do SIGEF, o Fórum de Inovação Social e Ética Global. Seja a mudança, seja Horyou!

A responsabilidade social empresarial é essencial para a evolução dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU. Como parte do compromisso de retratar iniciativas bem-sucedidas que promovem a inclusão social e a preservação do meio ambiente, entrevistamos Henrique Hélcio, Coordenador do Grupo de Trabalho Coprodutos da Usiminas, um dos maiores complexos siderúrgicos das Américas. Nessa conversa com o Horyou blog, Henrique fala do projeto Caminhos do Vale, que viabiliza a pavimentação de estradas rurais no Vale do Aço, em Minas Gerais, a partir de rejeitos do processo industrial. A iniciativa já aplicou mais de 1 milhão de toneladas utilizadas em cerca de 600 quilômetros de estradas rurais, na restauração de 50 quilômetros de vias urbanas e na recuperação de 35 pontes, encostas e áreas degradadas.

Estrada pavimentada pelo programa Caminhos do Vale, da Usiminas
Estrada pavimentada pelo programa Caminhos do Vale, da Usiminas

Qual o envolvimento da Usiminas com os objetivos de desenvolvimento sustentável? A qual deles o projeto Caminhos do Vale é direcionado?

O Caminhos do Vale está inserido no Programa de Sustentabilidade Usina Circular da Usiminas, que, como o próprio nome sugere, tem como base o conceito de Economia Circular e se apoia nos três pilares da sustentabilidade. Ao todo, o Usina Circular conta com quatro vertentes que têm como objetivo reduzir a emissão de CO2, ampliar a eficiência, evitar o desperdício e conservar ou aumentar a vida útil das matérias-primas, bem como inovar para garantir a sua durabilidade.

No caso específico do Caminhos do Vale, que conta com a coparticipação das prefeituras, a Usiminas destina adequadamente o material originado de seu processo industrial; incentiva a implementação de projetos socioambientais, a exemplo da recuperação de 684 nascentes e da proteção da fauna e da flora, como contrapartida à doação do agregado siderúrgico; e promove a melhoria do acesso viário das comunidades, especialmente as rurais, o que impacta diretamente a economia, a educação, a segurança e a qualidade de vida dos moradores.

Pavimentação de Santana do Paraíso
Pavimentação de Santana do Paraíso

Além do Caminhos do Vale, há outros projetos de sustentabilidade social e ambiental? Pode citar alguns?

Sim, a Usiminas conta com diversos projetos e programas voltados para essa temática. Especificamente em relação ao Usina Circular, podemos destacar o projeto Junto e Misturado – Baia de Mistura de Resíduos. A partir da revisão de práticas operacionais, adequação e adaptação de equipamentos já existentes, o projeto tornou possível a captação e reciclagem da lama fina originada na produção na Usina de Ipatinga. Antes depositada em aterro industrial, a lama reciclada passou a ser utilizada em substituição ao uso de minério e antracito no processo produtivo da siderúrgica.

A reciclagem da lama trouxe resultado nos três pilares da sustentabilidade. No ambiental, houve a redução da disposição do material em aterro industrial, assim como a preservação de recursos naturais como minério e antracito, devido à menor demanda. O projeto também fez a diferença para a comunidade, com redução de 60% ao mês no número de viagens de caminhões em vias públicas (redução de 550 viagens/mês) durante transportes de material para o aterro industrial. A produção também se tornou eficiente com economia anual de R$ 3,4 milhões em aquisição de matérias-primas.

Equipe da Caminhos do Vale
Equipe da Caminhos do Vale

Na sua opinião, qual o papel das empresas em transformar positivamente o mundo em que vivemos? Acredita que o setor privado está se envolvendo mais com questões sociais e ambientais?

Acredito que já houve avanços nesse sentido, mas ainda estamos longe do ideal. Especialmente no setor industrial, vivemos mais de dois séculos dentro do modelo linear de produção, que é o extrair, fabricar e descartar, sem uma preocupação sobre o que estamos deixando de herança para as gerações futuras. Mudar paradigmas e adotar ações realmente efetivas no caminho do modelo circular, especialmente na maneira como nos relacionamos com matérias-primas e resíduos, são movimentos que ainda podem encontrar resistência dentro das empresas. Ainda assim, é inegável que o tema está mais presente do que nunca na agenda corporativa e que estamos criando novos espaços de discussão e ação. Acredito que as empresas podem e devem retornar às comunidades e ao meio ambiente tudo aquilo que é de certa forma retirado deles no processo industrial.

Horyou apoia as iniciativas de inovação social que ajudam o mundo a alcançar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável

Em pronunciamento na COP 22, em Marrakesh, Ministro do Meio Ambiente Sarney Filho anuncia que o País sediará o Fórum Mundial da Água em 2018

Ministro do Meio Ambiente, Sarney Filho, durante as negociações da COP22
Ministro do Meio Ambiente, Sarney Filho, durante as negociações da COP22

Brasília será a sede do Fórum Mundial da Água em 2018. Com o tema “Compartilhando Água”, o evento discutirá a relações entre crises hídricas e mudanças climáticas, conforme anunciou o ministro Sarney Filho durante a COP22 em Marrakesh. Com uma série de crises hídricas recentes em seu histórico, o país tem uma posição-chave na conservação dos mananciais, tanto por sua importância geográfica quanto por seu papel de líder regional.

“Nossos cursos d’água e rios estão altamente comprometidos, não só na região Nordeste, mas no Sudeste também”, alertou o ministro. Apesar de as crises estarem evidentemente relacionadas às mudanças climáticas, ele ressaltou que as bacias menos protegidas de vegetação foram mais afetadas. O desmatamento de matas ciliares em bacias como a do Rio São Francisco, por exemplo, é um exemplo da necessidade de agir com rapidez – hoje, 10km de água salgada estão entrando pelo leito do rio em sua foz e há apenas 2% de reservas.

O Fórum Mundial da Água, segundo Sarney Filho, será uma oportunidade de discutir temas como integração de recursos hídricos à gestão pública, participação das comunidades locais e políticas de disponibilidade de água. “Precisamos priorizar iniciativas sustentáveis e resilientes em projetos de infraestrutura. A água engloba, direta ou indiretamente, todos os objetivos de desenvolvimento sustentável”, afirmou.

O diretor presidente da Agência Nacional de Águas (ANA), Vicente Abreu, afirma que o processo de escassez hídrica de diversas regiões do país trouxe grandes aprendizados. “Muita coisa evoluiu nos últimos 20 anos em gestão de recursos hídricos. Mas há uma grande fragilidade do Brasil diante de eventos externos, tanto em águas superficiais quando nos aquíferos”, alerta. A crise hídrica, segundo ele, é uma ameaça constante, mesmo em um país em que se convencionou dizer ter uma grande disponibilidade do recurso.

“Em 2014, o Sistema Cantareira, em São Paulo, chegou a inacreditáveis 25% negativos”, relembra. O curioso neste caso, diz Abreu, é que muitos interpretaram o evento como uma seca isolada. Outro exemplo mais recente é o da cidade de Rio Branco, no Acre, que enfrentou em 2016 a maior cheia e a maior seca dos últimos 30 anos. “Precisamos preparar um modelo de gestão, construir reservatórios e mudar os padrões de consumo”, diz.

Estiagens vêm afetando diversas bacias brasileiras
Estiagens vêm afetando diversas bacias brasileiras

Alguns setores, como o de agricultura, já estão se adaptando às novas demandas, reduzindo o uso de água e trabalhando com mais eficiência. É nas cidades, porém, onde se encontram os desafios mais preocupantes – as perdas ultrapassam os 50% e o consumo é elevado, chegando a 320 litros por habitante por dia. O número considerado adequado é de 80 a 120 litros. “Precisamos repensar o consumo e considerar alternativas que foram rejeitadas no passado como redução de perdas, reuso urbano de água e dessalinização”, afirma.

A boa notícia é que o quadro pode ser revertido com políticas públicas e mudanças culturais, que já estão em curso. “Crimes ambientais como o de Mariana trouxe a atenção para a bacia do Rio Doce. A qualidade da água tornou-se uma das preocupações principais das pessoas”. A expectativa é que o Fórum Mundial da Água se torne uma das conferências mais importantes, em que os temas da água e das mudanças climáticas sejam definitivamente conectados. “A água deve fazer parte de nossa agenda política relevante para garantirmos segurança hídrica sustentável para todos os usos no nosso País”, disse o diretor presidente da ANA.

Escrito por Vívian Soares

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