Brazil

Foi a partir da pergunta: ‘como seria o mundo se a Mercur não existisse mais?’ que a empresa que fabrica borrachas e produtos para a saúde, começou um projeto de transformação há quase dez anos. Desde então vem revendo seus projetos de gestão e sustentabilidade. Entre as mudanças mais importantes, a Mercur passou a investir em negócios locais, substituindo importações por compra de insumos nacionais, e incentivando pequenos empreendedores a vender sua produção em uma feira orgânica organizada internamente para funcionários. Um trabalho com comunidades extrativistas no Pará e no Acre garante que os seringueiros recebam remuneração justa e consigam proteger e conservar as florestas, sem pensar em extrair o máximo para ganhar o mínimo. Pensando nessa visão para o futuro, a Mercur criou um Laboratório de Inovação Social, onde investe em educação e diálogo com os colaboradores da empresa para manter o tema presente e vivo na cultura corporativa. Entrevistamos Jorge Hoelzel Neto, facilitador da Mercur, sobre os projetos de sustentabilidade da companhia.

A empresa faz parcerias com cooperativas e comunidades seringueiras
A empresa faz parcerias com cooperativas e comunidades seringueiras

Quais foram os motivadores para que a Mercur iniciasse seus investimentos em novos projetos sustentáveis?

A partir de um olhar para o futuro com lentes mais sensíveis, passando a considerar não apenas as questões econômico/financeiras, mas também as questões humanas, sociais e ambientais, percebemos a necessidade de considerar também um novo modelo de gestão, que pudesse dar conta de necessidades que passavam de forma despercebidas nos planejamentos que fazíamos. Esta avaliação iniciou em 2008, e, de lá para cá, os principais resultados já alcançados têm a ver com a evolução do diálogo entre as pessoas que interagem com a empresa e da co-criação de novas possibilidades na busca da construção de um mundo que possa ser mais confortável para todos. Os projetos surgem nesse contexto, como pano de fundo para uma atuação que busca e experimenta o que não era conhecido por nós até então, com o objetivo de viabilizar soluções legítimas com as pessoas que nos relacionamos.

Você acredita que empresas com responsabilidade social têm resultados melhores? De que forma essas ações e projetos de sustentabilidade se traduziram em resultados corporativos?

A Mercur não estabeleceu essa caminhada com a intenção de atuar como uma empresa que, através da comunicação ou de projetos de responsabilidade social, tem melhores resultados, em função do reconhecimento das pessoas. Toda a legitimidade do nosso processo de gestão está em não ser pautado em modelos pré-existentes, modismos e tendências. Buscamos uma atuação coerente aos nossos valores e direcionamentos, nos orientamos a partir deles e vamos encontrando soluções que fazem sentido para nós.

Acreditamos que por meio do “desenvolvimento do ser humano” podemos contribuir para a formação de uma sociedade mais preparada para a construção do seu próprio sistema de vida. E é esse o resultado que nos interessa, se queremos que nossos produtos e serviços possam ter consumidores, precisaremos construir, com estes mesmos, um novo modelo ou sistema de produção e consumo que sustente a vida humana no planeta de forma sustentável.

Workshop sobre inovação e sustentabilidade com funcionários da empresa
Workshop sobre inovação e sustentabilidade com funcionários da empresa

Como funciona o laboratório de inovação social e quais são os seus objetivos?

O Laboratório de Inovação Social Mercur foi pensado com o objetivo de ser um ambiente que permita à empresa vivenciar descobertas e promover interações com a comunidade e públicos com os quais se relaciona. A ideia é que o espaço seja um instrumento que promova momentos significativos de ensinar e aprender e, também, de criação de soluções que ajudem a melhorar a vida das pessoas, a partir de necessidades legítimas e da convivência com elas. O LAB comporta dois modelos de atividades chamadas de aprendizagem e prototipação. Os espaços de aprendizagem são as atividades em que as pessoas colocam seus conhecimentos a serviço de outras pessoas, criando momentos significativos de ensinar e aprender. Essas ações podem acontecer por meio de uma oficina, roda de conversa, palestra ou até mesmo de um filme que gostariam de compartilhar. Já os espaços de prototipação são as atividades de colocar a mão na massa para construir protótipos de produtos ou serviços.

Qual a visão da empresa para o futuro?

Ao construir intensas interlocuções em busca de se tornar uma indústria mais próxima e relevante para seus públicos, a Mercur foi conhecendo melhor a sua vocação e atualizando naturalmente a sua proposta de atuação. Recentemente fizemos um exercício de imaginar a empresa que queríamos ser em 2050 e concluímos que gostaríamos de continuar sendo uma organização comprometida com a construção de relacionamentos que valorizam a vida, sobretudo em iniciativas locais voltadas à criação de bem -estar. Essa visão foi transformada em macro-objetivos estratégicos e em decisões que possam viabilizá-los em perspectivas de tempo apropriadas, isto é, que levem em conta a gestão de potenciais externalidades.

Horyou apoia as iniciativas de inovação social que ajudam o mundo a alcançar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, e é organizadora do SIGEF, o Fórum de Inovação Social e Ética Global. Seja o futuro, seja Horyou

Fundada em 1985, a Casa Pequeno Davi é uma organização incansável no compromisso com crianças e adolescentes em vulnerabilidade social e em situação de rua. Desde os anos 1990, o trabalho social realizado na capital da Paraíba, João Pessoa, vem se ampliando para atender ao entorno familiar de crianças e adolescentes, atuando também em escolas do bairro do Roger, onde funcionava o lixão metropolitano, e também no estado do Ceará. Hoje, a Casa Pequeno Davi é uma organização que atua nos espaços de formulação de políticas públicas (conselhos, fóruns e redes), conquistando parcerias ao longo do tempo e conquistando a credibilidade da comunidade e da sociedade em geral. Leia mais sobre esse membro ativo da nossa plataforma Horyou!

A Casa Pequeno Davi promove atividades de apoio a crianças e adolescentes na Paraíba e no Ceará
A Casa Pequeno Davi promove atividades de apoio a crianças e adolescentes na Paraíba e no Ceará

Quais são as principais inspirações para o trabalho da Casa Pequeno Davi?

A defesa dos direitos, o respeito à pessoa humana, a ética, a responsabilidade, a transparência, participação, a igualdade e a democracia plena.

Que tipo de impacto a organização deseja causar no mundo?

Uma sociedade justa e responsável, onde os direitos humanos, sobretudo de crianças e adolescentes, sejam respeitados e efetivados.

De que forma as redes sociais e a tecnologia influenciam no dia a dia da organização?

Maior visibilidade da organização por parte da sociedade em geral, possibilitando novas parcerias. Ainda com a possibilidade de inserção do público (crianças, adolescentes e familiares) na chamada inclusão digital por meio dos cursos, oficinas oferecidos pela instituição por meio das parcerias.

Quais foram as principais evoluções da atuação da organização em relação à comunicação e as novas tecnologias?

Visando ampliar sua visibilidade, a organização investiu na comunicação, utilizando todos os meios de comunicação possíveis (site, blog, redes sociais, campanhas e materiais impressos). Hoje, a Casa Pequeno Davi é uma organização de referência na área defesa dos direitos humanos, em especial de crianças e adolescentes no Estado da Paraíba.

A organização faz parcerias para promover atividades variadas com as crianças
A organização faz parcerias para promover atividades variadas com as crianças

Qual a importância de participar de uma rede social do bem social como a Horyou?

No mundo globalizado, a participação em uma rede social com a amplitude da Horyou, é de fundamental importância para ampliar a escala da visibilidade institucional. A conexão com outras organizações, o compartilhamento dos objetivos e das ações fortalece a metodologia do trabalho para o alcance da missão.

Vivemos em uma era de constante transformação. Quais são as mudanças positivas que você deseja para a sua comunidade e para as gerações futuras?

Acreditamos que, em primeiro lugar, precisamos de uma consciência ambiental globalizada porque as gerações futuras dependem do nosso comportamento atual. Não é mais possível conviver com o desrespeito em todos os níveis, seja entre as pessoas, seja com o ambiente em que vivemos.

Estamos contribuindo para a formação cidadã de crianças e adolescentes que são prioridade absoluta, de acordo com o Estatuto da Criança e do Adolescente. Esse público precisa ter seus direitos efetivados na prática para que possam ter melhoria na qualidade de vida e um amanhã diferente.

A Horyou é a rede social do bem social. Conectamos e apoiamos iniciativas sociais, empreendedores e cidadãos que promovem a implementação dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU, para que possamos construir um mundo mais harmonioso e inclusivo. Seja a mudança, seja Horyou!

O fotógrafo Tomás Cajueiro tem um projeto ousado – percorrer o Brasil mostrando as diferentes faces do país a seu próprio povo. O projeto Retratos Brasileiros, que faz uma edição especial pelo estado de São Paulo, é resultado de um trabalho de diferentes fotógrafos que viajaram pelo Brasil e pelo exterior desde 2014 em busca de brasileiros. Além das imagens, o projeto também conta com relatos sobre cada personagem retratado, exposições e palestras sobre fotografia. O Horyou blog entrevistou Tomás Cajueiro, que conta sobre a história do projeto e sua inspiração nas causas sociais.

Foto: Tomás Cajueiro
Foto: Tomás Cajueiro

Como surgiu a ideia do projeto Retratos Brasileiros?

Nasce como uma maneira de colocar um pouco em prática, diversas das reflexões teóricas que eu tive nos meus anos de estudo, sobretudo no mestrado, onde estudei muito identidade nacional e a função do jornalismo e do fotojornalismo como instrumentos de formação de identidade nacional. O brasileiro e o latinoamericano em geral tem uma identidade ainda muito fraca, ainda em construção. O Retratos surge como uma utopia de propiciar uma reflexão que faça o brasileiro pensar quem ele é, quem é o povo brasileiro.

Foto; Tomás Cajueiro
Foto; Tomás Cajueiro

O projeto está em fase de curadoria. Quais são os próximos passos e o plano de divulgação?

A edição 2017 do projeto, que é viabilizado com recursos do ProAC (Programa de Ação Cultural – Estado de São Paulo) está na fase final de curadoria para seleção das imagens que irão compor a exposição e seu catálogo. Serão escolhidas 100 imagens. Os próximos passos serão as exposições em si que devem acontecer em Sorocaba, Araçatuba e Santos. A divulgação acontece pelas redes sociais e assessoria de imprensa.

Como continuidade do projeto, o próximo passo é inscrevê-lo na Lei Rouanet, para que aconteça em nível nacional. Nosso objetivo é voltar o Retratos, a partir do ano que vem, para o Brasil todo, que foi como começarmos. Esperamos fazer isso agora com o financiamento da Lei Rouanet. O objetivo é termos um livro publicado com as próximas imagens, até 2019.

Foto: Érica Dezonne
Foto: Érica Dezonne

Você se sente engajado com questões sociais e de meio ambiente?

A fotografia é uma consequência desse engajamento. Meu engajamento se manifestou através de uma série de trabalhos voluntários que eu sempre fiz. A fotografia, na verdade, nos últimos anos tem se transformado num instrumento que dá voz a esse engajamento social, ela é a consequência. E a maneira através da qual eu acredito que eu consigo dar voz a pessoas que são forçadamente mudas. Sobretudo nesse sistema midiático que a gente vive hoje, bastante mercadológico, muita gente que não vende pauta (jornal) não tem voz.

Com quais causas sociais você se sente mais conectado?

Pessoalmente eu me interesso muito por desigualdade social e inclusão social. São duas causas que me interessam bastante. Gosto muito de trabalhar com pessoas marginais à grande massa da sociedade. Eu acho que o que a gente chama de minoria na verdade é a maioria, são pessoas que não estão no centro do debate sócio-político.

Foto; Daniel Arroyo
Foto; Daniel Arroyo

Na sua opinião, como a arte pode colaborar para construir uma sociedade mais justa?

Acredito que a arte empodera as pessoas, pois gera uma visão crítica, a partir do momento que as tira da zona de conforto. Mexe com um lado do cérebro que não é racional. Acho que faz com que a pessoa tenha a capacidade de pensar mais no abstrato, e a pessoa acaba tendo uma visão de mundo diferente, que não teria se ela ficasse vivendo aquele mundo muito cartesiano que a sociedade põe de frente pra gente. Vivemos em uma sociedade muito pragmática. Acho que a arte é uma maneira de acabar com esse pragmatismo. Assim, as pessoas se tornam mais críticas e fazemos com que a sociedade seja mais justa.

Desde que iniciou suas atividades atendendo pessoas em situação de rua e com dependência de álcool e drogas na Cracolândia, em São Paulo, a SER Sustentável continua perseguindo a sua missão – a de usar a sustentabilidade para promover a integração de cidadãos em vulnerabilidade social. Com cinco anos de história, a organização é um membro ativo da plataforma Horyou! Nessa entrevista, a presidente Silvana Grandi conta sobre as principais atividades da SER Sustentável e a sua visão de futuro.

A SER Sustentável participou do SIGEF 2014
A SER Sustentável participou do SIGEF 2014

Qual a história da SER Sustentável?

A SER Sustentável iniciou suas ações atendendo pessoas em situação de rua e dependentes de álcool e outras drogas na cracolândia de São Paulo, há 05 anos. Prestamos até hoje serviços de conscientização ambiental, capacitação técnica e fiscalização de Comunidades Terapêuticas, locais de acolhimento em que são internadas as pessoas com dependência química.

Atualmente, trabalhamos em parceria com uma ONG na periferia da zona sul de São Paulo com um projeto de capacitação e construção de moradias sustentáveis de baixo custo para a Comunidade da Matinha, que se encontra em situação de extremo risco social.

Qual é o escopo de trabalho da organização?

O trabalho da SER Sustentável consiste em conscientizar, fiscalizar, humanizar e promover ações multidisciplinares em comunidades periféricas de São Paulo e realizar trabalhos de prevenção para pessoas com a dependência do álcool e outras drogas. Atualmente faltam espaços que promovam a efetiva reinserção social destas pessoas principalmente as que vivem em situação de extremo risco dentro das comunidades vulneráveis. Queremos também reinseri-los na sociedade com geração de trabalho e renda, utilizando oficinas e projetos sustentáveis de capacitação, geração de trabalho e renda.

A SER Sustentável por meio de sua equipe, presta assessoria profissional baseada em ampla capacitação e preparo de Organizações Sociais, Assim, elas podem adotar procedimentos de atendimento para pessoas em vulnerabilidade social e uma acolhida humanizada, minimizando possíveis sequelas que sua extrema vulnerabilidade proporciona.

Entendemos que a Gestão Sustentável inicia-se a partir da valorização do ser humano e em todos os seus ambientes onde está inserido. Diante desse cenário, a SER Sustentável tem como objetivo criar, promover e atuar como parceira junto às comunidades vulneráveis, ONGs, associações de bairro e de classe e de pessoas em extremo risco social no sentido de orientar, propor ações de contenção e de readequação para essas situações já recorrentes por meio de projetos, assessoria e orientações direcionadas.

Equipe SER Sustentável
Equipe SER Sustentável

Que tipo de impacto a organização deseja causar para o mundo?

Ser referência global em projetos socioambientais para inspirar e multiplicar projetos e ações de cidadania e meio ambiente em comunidades que vivem abaixo da linha da pobreza e em situação de extremo risx«co social.

De que forma as redes sociais e a tecnologia influenciam no dia a dia da organização?

As redes sociais e a tecnologias são ferramentas cruciais que complementam os projetos e ações da SER Sustentável. Um exemplo foi a Horyou, esta importante plataforma que através de nossas redes sociais conheceu nossos projetos e até hoje são parceiros na divulgação de nossas ações.

Qual a importância de participar de uma rede social do bem social como a Horyou?

A Horyou, além de ser uma plataforma rica em informações e em organizações sérias, também influencia o mundo a buscar continuamente novos olhares, projetos inovadores e contatos com pessoas experientes, fazendo com que cada membro agregue valor em seu projeto. Nos deu a oportunidade de conhecer novas culturas e nos impulsiona o tempo todo a não desistir. São importantes motivadores e mobilizadores de ações socioambientais.

Vivemos em uma era de constante transformação. Quais são as mudanças positivas que você deseja para a sua comunidade e para as gerações futuras?

Desejamos impactar e transformar a vida de cidadãos que vivem abaixo da linha da pobreza unindo todos os atores sociais em prol de uma sociedade mais justa. Através dos projetos e ações realizados, queremos deixar um legado para que as próximas gerações continuem nosso trabalho e também usufruam de um mundo menos desigual e com mais respeito, amor e cuidado ao meio ambiente do qual fazemos parte.

A Caravana Siga Bem, projeto da Companhia Brasileira de Marketing, uniu forças com a ONU para promover os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável no Brasil. O projeto tem como público-alvo os caminhoneiros e a cadeia produtiva que envolve o setor de transportes no País. O Horyou Blog conversou com Phablo Gouvêa, sociólogo, especialista em sustentabilidade e coordenador de responsabilidade social da Caravana Siga Bem.

A Caravana Siga Bem se uniu à ONU para promover os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável
A Caravana Siga Bem se uniu à ONU para promover os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável

A Caravana Siga Bem já é um projeto estabelecido. Quando ele foi criado e com quais objetivos?

A Caravana Siga Bem está percorrendo as estradas do Brasil há mais de uma década. O projeto vem ao longo desses anos somando esforços com diversas empresas, governos, entidades e organizações sociais brasileiras espalhadas pelos quatro cantos do Brasil na promoção dos direitos humanos dos caminhoneiros, em uma série de ações como palestras, serviços gratuitos de saúde e apresentações de projetos sociais. Desde 2003, já acompanhávamos o nascimento do “Disque 100” a partir das discussões promovidas com a CPI que tratava da Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes. Naquela época buscava-se uma clara definição sobre quais eram as políticas públicas necessárias ao enfrentamento de situações de violência sexual e o que precisava ser feito a partir dos relatos de abuso para oferecer um atendimento digno e eficaz para a cidadania, na prevenção e no resgate das crianças e adolescentes já vitimadas. No âmbito desse debate, o Siga Bem Criança surgia como o primeiro projeto brasileiro com foco exclusivo na comunidade estradeira para combater a exploração sexual infanto-juvenil e o turismo sexual nas rodovias. A iniciativa ganhou força com a adesão da Caravana Siga Bem, que, por sua vez, se tornou o maior projeto itinerante brasileiro, pioneiro no estabelecimento de diálogos com as comunidades em postos de combustíveis. Nesta última edição, atravessamos em nove meses, 22 estados da federação, centenas de cidades interioranas, litorâneas e a capital do País, tratando de temas extremamente complexos com um público que tem igualmente seus direitos humanos violados todos os dias.

É a primeira vez que a Caravana Siga Bem tem como foco os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. Quais os objetivos dessa parceria inédita?

Em 2016, a partir de um convênio firmado com a ONUBR, a Caravana Siga Bem se propôs ao desafio de divulgar Brasil a fora os 17 Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) onde são previstas diversas ações globais nas áreas da saúde, educação, igualdade de gênero, erradicação da pobreza, redução das desigualdades, mudança do clima, entre outros. Nosso objetivo de norte a sul do País, vai ao encontro do lema desta ação: “não deixar ninguém para trás”. Com isso, colaboramos com a iniciativa da ONUBR de promover em nossas carretas os três pilares essenciais dessa estratégia mundial: a erradicação da pobreza, o combate à desigualdade social e conter as mudanças climáticas. Em comemoração a essa parceria inédita a Caravana Siga Bem apresentou a peça teatral “Ó Xente! E os Direitos da Gente?”, que tem o clássico Dom Quixote de La Mancha, de Miguel de Cervantes, como referência para mostrar a busca dos cidadãos pela conquista e exercício dos direitos humanos. Na peça, os 17 ODS são tratados como importante mecanismo de construção de uma sociedade mais justa e igualitária, trazendo à comunidade estradeira que, em boa parte, nunca assistiu a um espetáculo de teatro, a emergência da Agenda 2030 da ONU e o conhecimento de suas agências e programas. Na peça, escrita por Josemir Medeiros e com direção de Tito Teijido, a figura quixotesca é encarnada por um caminhoneiro que, durante a sua viagem, precisa combater os “monstros” com os quais se depara. Os “monstros” são inimigos que tiram da população a possibilidade de uma vida digna ao cerceá-la de direitos básicos como: educação, saúde, condições dignas de trabalho, tolerância à diversidade e o respeito ao meio ambiente. A peça é encenada pelos próprios caminhoneiros e produtores do projeto e acontecem à noite. Segundo o diretor artístico do projeto, “a missão do teatro é explicitar para esse público o discurso transformador que também é a missão da Caravana Siga Bem, tida como a Caravana dos Direitos Humanos. Como a encenação é para seus pares o resultado da mensagem é muito mais eficaz. É um discurso de igual para igual”.

Entre agosto de 2016 e março de 2017, na Caravana Siga Bem, aproximadamente 4.325 mil caminhoneiros tiveram a pressão arterial aferida, 2.884 testes de glicemia foram executados, 2.049 vacinações contra febre amarela, tétano e hepatites virais foram aplicadas, 1.952 testes rápidos de HIV/Aids e sífilis realizados, milhares de folhetos sobre os 17 objetivos de desenvolvimento sustentável bem como sobre as DST’s foram distribuídos juntamente com preservativos. Além desses serviços, também foram feitas medidas da circunferência abdominal, orientações sobre ergonomia e uso indiscriminado de álcool e drogas sintéticas, alavancando bons resultados na promoção dos ODS no Brasil. Blockquote

O teatro é uma ferramenta de debate sobre direitos sociais
O teatro é uma ferramenta de debate sobre direitos sociais

Quais são alguns dos marcos desse projeto?

A parceria firmada entre a Cobram – Companhia Brasileira de Marketing (empresa que realiza a Caravana Siga Bem) – e a ONUBR, na promoção dos 17 ODS, é uma forma de demonstrar o compromisso da empresa com a Agenda 2030 e suas metas. Isto já havia se tornado evidente quando a empresa aderiu, em 2015, ao WEPs (traduzido do inglês como Princípio de Empoderamento das Mulheres), iniciativa da ONU Mulheres para o empoderamento feminino no ambiente de negócios. Neste sentido, a Cobram se abriu à capacitação interna sobre esse assunto tendo parcerias como a Cepia e o Instituto Patrícia Galvão, fomentou o selo Siga Bem Mulher, divulgou a Lei Maria da Penha entre os caminhoneiros, promoveu o Ligue 180, articulando centenas de secretarias municipais, organizações sociais e a partiipação de gestoras públicas com mandato de implementação de políticas para as mulheres nas palestras da Caravana Siga Bem. Isso ressalta a participação das mulheres em um segmento notadamente conhecido como masculinizado, machista e misógino. Em 2017, a Cobram se tornou empresa signatária da Rede Brasileira do Pacto Global, fundado em 2003 e que representa hoje a 4ª maior rede local, com mais de 700 signatários. Atuando em parceria com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), está sob a gestão de um comitê com 36 organizações de referência em sustentabilidade e empresas líderes em setores estratégicos para a economia brasileira.

ACaravana Siga Bem promove discussões sobre direito das mulheres
ACaravana Siga Bem promove discussões sobre direito das mulheres

Como funciona essa parceria entre os caminhoneiros e o projeto? Porque o foco neste público em especial?

Apesar dos caminhoneiros movimentarem boa parte da nossa economia, esta categoria tem nos seus desafios diários os seus direitos humanos violados constantemente. Diante disso, nas mais de 100 paradas em postos de combustíveis espalhados pelos quatro cantos do País, a Caravana Siga Bem vem buscando impulsionar a garantia desses direitos e chamar a atenção de toda a comunidade estradeira para aderirem a Agenda 2030.

A Caravana Siga Bem tem seu foco no caminhoneiro. Mas, em geral, quando as pessoas observam um caminhão na estrada, chama mais atenção o veículo do que o sujeito que dirige a máquina. O caminhoneiro passa por invisível. Isto revela o enorme desafio que temos pela frente. Segundo o Departamento Nacional de Trânsito (Denatran), em todo o Brasil há uma frota de caminhões que ultrapassa os dois milhões. Em relação ao transporte de cargas no sistema rodoviário, de acordo com dados da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), há mais de 600 mil registros de transportadores autônomos em circulação. No território brasileiro 58% da mercadoria que circula no sistema rodoviário é responsabilidade do transporte de cargas. Temos, portanto um enorme campo de atuação na emancipação dos direitos humanos desse grupo, na promoção do direito do caminhoneiro aos mecanismos básicos de justiça, saúde e aos tratamentos existentes indispensáveis na construção de sua cidadania e de uma sociedade mais justa e igualitária.

A Caravana oferece serviços de saúde, palestras e orientação aos caminhoneiros.
A Caravana oferece serviços de saúde, palestras e orientação aos caminhoneiros.

O Brasil é um país continental cortado por estradas, e os caminhoneiros são atores importantes nessa aproximação de diferentes culturas e estados. Conte um pouco dos objetivos da Caravana Siga Bem em 2017.

O caminhoneiro é o profissional de um segmento da nossa economia de grande relevância no abastecimento e transporte de cargas, grãos, vestuário, remédios, etc. É pela estrada, em boa parte, que chega até nossas casas tudo aquilo que precisamos para o nosso cotidiano. A emergência da Agenda 2030 busca promover o reconhecimento da insustentabilidade do consumo desenfreado, das mudanças na temperatura do planeta e a necessidade de erradicação da pobreza em todas as suas dimensões. Estes são os maiores desafios da humanidade e, portanto, um requisito indispensável para a manutenção da qualidade da vida no planeta Terra para as próximas gerações segundo a ONU. Em 2017 continuaremos a juntar esforços com a sociedade, governos, empresas signatárias, organizações da sociedade civil, articuladores de redes, movimentos sociais, caminhoneiros, estradeiros e profissionais rodoviários para levar à todos os cantos do País esta poderosa mensagem na promoção do desenvolvimento sustentável e de uma cultura de paz.

Contar histórias emocionantes para promover mudanças positivas na sociedade. Esse é o propósito do publicitário Marco Iarussi, que promove campanhas digitais na internet com o objetivo de arrecadar fundos para projetos de cunho social e humanitário. Fundador do projeto “Curta a Ideia – Vídeos que Mobilizam”, Marco é um membro ativo da nossa plataforma e um dos concorrentes ao SIGEF Project Awards. Ele falou com o nosso blog sobre suas conquistas, planos para o futuro e sobre a proposta de fazer “marketing pelo bem”.

Curta a Ideia apresentando o seu projeto no SIGEF
Curta a Ideia apresentando o seu projeto no SIGEF

1. Qual é a história do Curta a Ideia?

Sou publicitário e conheci a jornalista Tati Vadiletti quando trabalhávamos em um programa de televisão, na cidade de São Paulo. Apesar de sermos apaixonados pela comunicação e o audiovisual, sentíamos que aquele trabalho não despertava uma transformação na vida das pessoas. Nós acreditamos que a comunicação é uma ferramenta poderosa para transformar realidades, por isso fomos em busca do nosso sonho: contar histórias através de vídeos que mobilizam.

Foi por isso que em 2011 surgiu o ‘Curta a Ideia’ com a proposta de ser um canal de vídeos na internet que promove iniciativas e profissionais que oferecem o seu talento para transformar realidades. Nossa intenção sempre foi registrar histórias de pessoas que conectadas com seu coração, que serviam ao próximo ou defendiam uma causa. Por conta disso, o trabalho teve uma grande aceitação com organizações do terceiro setor; foi então que encontramos o nosso propósito: colocar nossa expertise com comunicação e audiovisual a serviço de grande causas, impulsionando iniciativas na internet com um video envolvente, que convida a uma transformação. É isso que sempre fizemos: vídeos que mobilizam! Nosso slogan é o que melhor nos define: “luz, câmera e coração”!

2. Um trabalho paralelo que você desenvolve são as campanhas de marketing digital para pessoas carentes. O que motivou a criação desse projeto?

Nosso propósito sempre foi usar a comunicação para promover o bem e nós acreditamos no poder da internet para gerar bondade. Embora o propósito das redes sociais seja conectar pessoas, o ambiente tecnológico muitas vezes distancia o homem das relações humanas. Nossa intenção com as campanhas sociais é criar a oportunidade para quebrar esse gelo, gerar conexões, oferecer ao usuário das redes a chance de praticar a empatia e, quem sabe, transformar uma vida.

3. Uma das campanhas mais bem-sucedidas que você desenvolveu foi para uma paciente que necessitava de células-tronco. Como você conheceu a história da Gigi e o que te mobilizou a trabalhar nessa campanha voluntariamente?

A campanha da Gigi foi extraordinária. Um caso que veio para comprovar a nossa missão de vida. Conhecemos a Gigi no Centro Espiritual do João De Deus, um médium brasileiro conhecido internacionalmente. Ela estava lá em busca da cura e o caso dela nos chamou muita atenção, por isso sabíamos que as pessoas na internet poderiam se engajar naquela causa. O curioso é que ela estava há muito tempo pedindo ajuda de porta em porta e sua presença na internet era quase inexistente, por isso havia muita dificuldade na arrecadação e o valor de 30 mil dólares era um objetivo quase impossível, mas por obra do acaso, ela encontrou justamente um casal que trabalha com marketing digital para causas sociais. Foi então que começou uma linda história de amor, boas ações e generosidade. Em poucos dias a campanha rodou o mundo e a Gigi recebeu doações do Japão, Finlândia, Austrália, Suiça, entre outros países. Em vinte dias, a campanha teve que ser finalizada, pois já tinha atingido múltiplas vezes o valor necessário, o que possibilitou o pagamento do mesmo tratamento para outras duas pessoas. Essa ação se tornou a maior campanha solidária do Brasil em 2016. Foi muito emocionante receber mensagens de pessoas nos agradecendo por ter dado a elas oportunidade de ajudar o próximo.

Marco Iarussi em uma das gravações para o Curta a Ideia
Marco Iarussi em uma das gravações para o Curta a Ideia

4. Conte quais foram os principais destaques do ano de 2016 e seus planos para 2017.

Além da campanha da Gigi, promovemos também outras três ações, sendo que a do Lucas José pode ser considerada a segunda maior campanha solidária do ano. Atualmente estamos com a campanha ‘Ame a Fernanda’, uma brasileira de 34 anos que foi aceita em pesquisas para a cura da AME – Atrofia Muscular Espinhal nos Estados Unidos. Ela tem grandes chances de sair da cadeira de rodas e voltar a andar, embora o tratamento seja gratuito ela precisa de fundos para custear sua permanência por um ano e meio no país. Estamos empenhados em conseguir mobilizar pessoas que apoiem essa causa, mas é uma corrida contra o tempo, pois ela tem somente até o mês de janeiro para entrar no programa de pesquisas. Para 2017 queremos ampliar a nossa atuação com o marketing pelo bem. Sabemos que muitas pessoas precisam de uma chance para transformar sua vida e que, por outro lado, muitas outras podem praticar a generosidade e olhar para o próximo.

5. Quais são os seus principais desafios e o que te motiva a superá-los?

Nosso maior desafio é nos tornarmos um canal de confiança, onde as pessoas possam realizar doações na certeza de que farão para uma iniciativa transparente, ética e comprometida. Infelizmente, existe uma certa desconfiança com projetos sociais na internet, mas nosso compromisso é com a prestação de contas e transparência das ações, pois devemos estimular a cultura da bondade e da colaboração no ambiente online. Quando as pessoas descobrirem o poder das redes sociais para promover boas ações, elas conseguirão mudar o mundo.

6. Você é um membro ativo de nossa comunidade e, este ano, participou com o seu projeto no SIGEF. Como avalia essa experiência?

Apresentar o nosso projeto no SIGEF2016 foi uma oportunidade de compartilhar com iniciativas globais o nosso propósito de promover o bem na internet. No evento, pessoas do mundo inteiro puderam trocar experiências, aumentar o seu repertório e certamente voltaram com muito mais vontade de fazer acontecer suas melhores intenções. Foi assim com a gente!

7. Qual mensagem você deixaria para a nossa comunidade Horyou?

Dizem que os bons são a maioria e que os querem mudar os mundo são muitos, mas eles estão espalhados por aí… Eu digo que a Horyou é o canal onde essas pessoas se encontram. Sempre que estou na plataforma, me encho de esperança vendo tantas iniciativas incríveis. O que tenho a dizer aos membros da comunidade é que o amor nos conecta e que eu acredito que conseguiremos mudar esse planeta, através deste amor.

Entrevista: Vívian Soares

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